Guille

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Este é o Guille - o anjo com a "asa ferida"...

sábado, 3 de julho de 2010

O que é a Síndrome de Angelman?

A Síndrome de Angelman (SA) é uma síndrome genética causada por uma alteração no cromossomo 15. Ela foi descoberta em 1965, pelo neurologista britânico, Dr. Harry Angelman, porém apenas por volta dos anos 90 foi iniciado algum tipo de estudo e pesquisa sobre esta síndrome.

Principais características

A Síndrome de Angelman é bastante difícil de ser reconhecida no recém-nascido ou na infância, uma vez que os problemas de desenvolvimento são inespecíficos neste período. Conhecendo-se as características da Síndrome, no entanto, é possível, mesmo para os pais, reconhecer uma criança portadora entre três e sete anos, quando os sintomas se fazem mais evidentes, embora já seja possível observar algum atraso no desenvolvimento a partir de 6 ou 12 meses de idade. De maneira geral, a gravidez de uma criança portadora da Síndrome de Angelman é normal.

Entre os sintomas clínicos consistentes, isto é, que estão presentes em 100% dos casos, levantados no documento “Síndrome de Angelman: Consenso por um critério diagnóstico”, de American Journal of Medical Genetics, publicado em 1995, constam, entre outros: o atraso do desenvolvimento, funcionalmente severo; a incapacidade de falar, com nenhum ou quase nenhum uso de palavras, identificando-se uma maior capacidade de compreensão do que de expressão verbal. São observados problemas de movimento e equilíbrio, com incapacidade de coordenação dos movimentos musculares voluntários ao andar e/ou movimento trêmulo dos membros. É freqüente qualquer combinação de riso e sorriso, com uma aparência feliz (embora este sorriso permanente seja apenas uma expressão motora, e não uma forma de comunicação), associada a uma personalidade facilmente excitável, com movimentos aleatórios das mãos, hipermotrocidade e incapacidade de manter a atenção.

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Em mais de 80% dos casos é observado o atraso no crescimento do perímetro cefálico, normalmente produzindo microcefalia (absoluta ou relativa) em torno dos dois anos de idade. Crises convulsivas antes dos três anos de idade também são comuns. Nesta proporção, de 80% de incidência, observa-se eletroencefalograma anormal, com ondas de grande amplitude e picos lentos.

Em menos de 80% dos casos verificam-se outros sintomas associados, tais como estrabismo (um dos olhos geralmente está “para fora”, ou seja, fora do eixo), hipopigmentação da pele (pele muito clara, ainda que os pais tenham o tom da pele mais escura) e dos olhos, hipersensibilidade ao calor, mandíbula e língua proeminentes, problemas para succionar (dificuldade em chupar pelo canudo), baba freqüente, língua para fora da boca, boca grande, dentes espaçados, atração pela água, comportamento excessivo de mastigação, hiperatividade dos movimentos reflexos nos tendões, problemas para dormir e com a alimentação durante a infância, braços levantados e flexionados ao caminhar. Em inglês, o termo ainda usado é Síndrome da “Happy Puppet” ou seja a “marionete feliz”, pois eles caminham como aquelas marionetes de cordões.

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Incidência da Síndrome de Angelman

A definição de síndrome é um conjunto de diferentes tipos de desordens que ocorrem em um indivíduo. A incidência desta síndrome é de aproximadamente 1 a cada 15.000/20.000 nascimentos porém o desconhecimento desta síndrome rara por parte dos profissionais da medicina e mesmo da sociedade em geral faz com que muitas crianças não tenham o diagnóstico correto ou sejam diagnosticadas genericamente como tendo paralisia cerebral grave, deixando de receber a medicação e tratamento adequado. Por isso que é muito importante ter um laudo, um diagnóstico de um neuropediatra, neurologista ou geneticista!!!                                                                                                                                                                                                                                                                             

Qual a causa da Síndrome de Angelman?

A causa genética da síndrome de Angelman é a ausência de expressão de alelos maternos localizados na região 15q11-q13. Cerca de 70% dos afetados têm uma deleção (perda) de origem materna no segmento cromossômico 15q11-q13. Os dados científicos sugerem que perda ou mutações no gene UBE3A (ubiquitin protein ligase E3A – gene E3A da ubiquitina ligase) são a principal causa do quadro clínico central da síndrome de Angelman.

O melhor jeito de tentar entender isso é assim: todos nós herdamos 23 pares de cromossomos de nossos pais. 23 cromossomos X da mãe e o outros 23 do pai (que pode ser um X e então nascerá uma menina; ou um Y e então nascerá um menino). Lá no cromossomo 15 herdado da mãe, imagine um guia de mapas de ruas! Ele é dividido em quadrados (quadrantes). Na região compreendida entre o quadrante 11 e o quadrante 13 é onde ocorre o problema.

Qual problema? Mais abaixo explico…

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Há risco para outros filhos?

O aconselhamento genético para a síndrome de Angelman é complexo porque depende do tipo de alteração do afetado.

- Na maioria dos casos (75% dos casos), os pacientes têm deleções de 15q11-q13 e o risco de recorrência é baixo (~1%). Neste caso ocorre uma microdeleção, ou seja, faltou um pedaço no cromossomo herdado da mãe em alguma parte daquele “quadrante”, aí o organismo não tem a informação para ler que deveria estar ali!! Vejam bem, isto é uma explicação simplificada, só para entender melhor… como a deleção é a maioria dos casos, caso queira uma explicação mais detalhada e técnica, pergunte a seu médico!

- No caso dos pacientes que apresentam dissomia uniparental paterna, o risco também é baixo (3%). Na dissomia uniparental paterna, naquele “quadrante” do cromossomo X da mãe, “entra” o pedacinho do cromossomo do pai (então só existem 2 informações iguais herdadas do pai e nenhuma informação do pedacinho que deveria ser herdado da mãe…) e de novo o organismo fica confuso, pois a mensagem que ele espera ler ali não é a que deveria estar – tem algo errado! Pai intrometido! Brincadeira, não é culpa de ninguém, são acidentes genéticos que acontecem…

- Se a causa do fenótipo é uma alteração no centro de imprinting, torna-se necessário verificar a alteração nesse segmento. No grupo de afetados com deleção do centro de imprinting existem casos nos quais a microdeleção foi herdada e nessas famílias o risco de recorrência é de até 50%. Nas microdeleções no centro de imprinting que não foram herdadas, o risco de recorrência é baixo (1%). Neste caso, aquela região (dos “quadrantes” da mãe), saem meio “borrados” ou mal impressos (igual acontece qdo começa a faltar a tinta na impressora), ficam quase ilegíveis e o organismo não sabe direito o que está lendo nem o que deve fazer… então ou não faz, ou faz errado…

- As mutações no gene UBE3A detectadas na síndrome de Angelman podem ser esporádicas (<8%) e, nesses casos, o risco de recorrência é baixo. Entretanto, se a mutação foi herdada, a mãe é a portadora da mutação e o risco de ter outro filho afetado para essa portadora é de 50%. Aqui, o que acontece é que aquela sequência de aminoácidos, as “letrinhas” do código genético, ficaram fora da ordem correta, e fica difícil para o organismo “ler” a mensagem ali escrita, como se as palavras das informações estivessem com um erro de ortografia. Este é o caso do meu Guille!

Também existem aproximadamente 5% de afetados pela síndrome Angelman sem anormalidades citogenéticas ou moleculares detectáveis, para os quais o mecanismo genético de manifestação é desconhecido, o que torna o aconselhamento genético difícil.

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Como é feito o diagnóstico?

Geralmente o quadro clínico é suficiente para o diagnóstico, mas há exames laboratoriais específicos tais como a análise do padrão de metilação, que pode ser complementado pela técnica de hibridação in situ (FISH) na região 15 q11-q14, bem como a pesquisa específica de mutações no gene UBE3A.

Existe tratamento para a Síndrome de Angelman?

Apesar de pesquisas recentes realizadas nos Estados Unidos e Europa terem obtido sucesso em reverter os sintomas e déficits causados pela SA em testes com cobaias (ratos), até o momento não há cura para a Síndrome de Angelman, mas, há alguns tratamentos para os seus sintomas.

- A epilepsia pode ser controlada através do uso de medicação;

- a fisioterapia é uma aliada importante para estimular as articulações prevenindo sua rigidez;

- Terapia ocupacional ajuda a melhorar a motricidade fina e controlar a conduta motora-bucal;      

- Terapias de comunicação e fonaudiologia também são essenciais para se trabalhar a fala;

- A hidroterapia, equoterapia e musicoterapia também são muito utilizadas na melhoria dos sintomas desta síndrome.

A modificação da conduta tanto em casa, quanto no colégio, pode permitir que a criança possa desenvolver, ela mesma, a capacidade de realizar a maioria das tarefas relacionadas com o comer, o vestir e realizar inclusive atividades de casa, neste caso a ajuda, compreensão e paciência dos familiares é essencial para essa conduta.

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2 comentários:

  1. Adriana,tudo bem?Sou mãe da Helena que também tem SA e,por muita coincidência,por mutação do gene UBE3A,como seu filho.Soubemos no mesmo mês o resultado do exame,realizado pelas drs.Mônica e Célia.Minha filha tem 5 anos,faz todas as terapias possíveis,moramos em São Sebastião,SP.
    Quem me falou de vcs foi o dr.Ferrnando Kok,adorei a ACSA e o blog do Guile.Gostaria de me comunicar com vcs e participar dos eventos.
    Ainda tenho muitas dúvidas,demorei pra conseguir me levantar depois da confirmação do diagnóstico.
    Aguardo sua resposta,um abraço,Samantha

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  2. Adriana boa tarde.

    Tenho um sobrinho o Pedro Augusto de 3 anos e 10 meses que tem a SA, estava procurando algumas informações sobre a Sindrome e encontrei o seu Blog. Fico muito feliz de poder ver fotos e videos do seu filho, pois até o momento eu pensei que o Pedro nunca teria possibilidades de andar e conseguir perceber as coisas. O nosso problema em casa é que minha irmã (mãe de Pedro) ainda esta abalada e não gosta muito de falar ou pensar no assunto. Hoje ele esta fazendo o tratamento 1 vez ao mês com a fisioterapeuta e faz também fonoaudiologia. Gostaria de saber como fazer para melhorar o estado de Pedro, quais brinquedos são ideais (ja que não adianta dar muitos carrinhos e robos que ele quebra tudo... hehehe) e como estimular por exemplo para comer, dormir e andar.

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